Eles recolhem lixo, dobram roupas e aprendem com erros: os robôs que já trabalham em casas chinesas

Eles recolhem lixo, dobram roupas e aprendem com erros: os robôs que já trabalham em casas chinesas — Tech | Versia.media

Imagem capturada em 21 de maio de 2026 exibe uma diarista trabalhando ao lado de um robô da X Square na residência de um cliente em Pequim — Foto: WANG ZHAO/AFP

Para Lin Meiqiong, que realiza limpeza de apartamentos em Pequim, o trabalho ficou mais leve após ganhar um colega inesperado: um robô sobre rodas movido por inteligência artificial.

A senhora de 56 anos e seu companheiro de cor branca e prateada, dotado de câmeras e duas pinças mecânicas, fazem parte de uma equipe de limpeza híbrida — humana e robótica — oferecida pela plataforma chinesa 58.com.

Trata-se de um avanço modesto em direção a um cenário onde os robôs assumem mais atividades manuais. No momento, porém, esses serviços servem sobretudo para coletar informações para as empresas e despertar o interesse dos consumidores.

"Com certeza, é diferente", declarou Lin à AFP. "Antes eu fazia tudo sozinha. Reduziu um pouco a carga."

O serviço, resultado de uma colaboração entre a 58.com e a empresa de robótica X Square, custa 149 yuans (R$ 114) por três horas e está disponível em Pequim e Shenzhen.

O robô Quanta X1 Pro entra no apartamento com o auxílio de um engenheiro da X Square e utiliza câmeras para detectar áreas que necessitam de limpeza.

Enquanto Lin cuida do piso, ele recolhe resíduos e dobra roupas.

A operação leva vários minutos, e o resultado se assemelha ao de uma criança aprendendo a dobrar peças pela primeira vez.

De acordo com o engenheiro Hu Bowen, versões futuras atenderão a comandos de voz e poderão dialogar.

Melhor que um laboratório

Cerca de 200 residências contrataram o serviço desde seu lançamento, em março.

Tan Pei, profissional de publicidade, contratou o robô para limpar seu apartamento porque queria "ver do que ele era capaz".

"Embora não seja perfeito, algumas coisas me surpreenderam", afirmou, mencionando que ele dobrou uma calça "muito bem".

Os robôs chineses impressionam em apresentações de dança e artes marciais, mas seu desempenho em situações reais ainda é restrito.

Imagem capturada em 21 de maio de 2026 exibe uma diarista trabalhando ao lado de um robô da X Square na residência de um cliente em Pequim — Foto: WANG ZHAO/AFP

Para empresas como a X Square, lançar um serviço imperfeito ajuda a coletar informações para desenvolver a chamada inteligência artificial incorporada.

Diferentemente dos grandes modelos de linguagem treinados com conteúdo da internet, os robôs ainda não dispõem de conjuntos comparáveis de dados do mundo real.

"Ainda não temos uma internet dos robôs", explicou à AFP Christoforos Mavrogiannis, da Universidade de Michigan.

"É muito mais instrutivo colocar o robô para trabalhar e analisar o que acontece do que mantê-lo para sempre no laboratório."

Hu afirmou que envia seus robôs para atuar em "ambientes completamente desconhecidos".

"Isso é muito desafiador, mas esses dados ajudam enormemente no desenvolvimento do robô."

Imagem capturada em 21 de maio de 2026 exibe um robô da X Square dobrando roupas na residência de um cliente em Pequim — Foto: WANG ZHAO/AFP

Com o crescimento dos investimentos em IA incorporada, a China também testa robôs que orientam o trânsito em cidades como Hangzhou.

A empresa GigaAI planeja enviar neste ano 100 robôs a residências de Wuhan para testes gratuitos de limpeza.

Investidores destinaram mais de 57 bilhões de yuans (R$ 43,7 bilhões) à indústria chinesa de IA incorporada neste ano, superando o total do ano passado, segundo a base de dados ITjuzi.

Fase muito inicial

Ainda existem muitos desafios para a popularização desses equipamentos.

Conforme demonstrou o Quanta X1 Pro ao dobrar roupas, os robôs ainda não conseguem igualar a habilidade humana.

"Muitas empresas trabalham no desenvolvimento de mãos robóticas autônomas, mas ainda não chegaram lá", afirmou Mavrogiannis.

Além disso, há questões regulatórias a serem resolvidas.

A privacidade será um tema central, já que os robôs terão acesso a muitas informações pessoais.

"Não sabemos para onde irão os dados, onde serão armazenados (...) nem quem terá acesso a essas informações", observa Valeria Alessandra Macalupu Chira, da Universidade de Tecnologia de Queensland.

A segurança dos clientes e de suas residências também continua sendo um problema.

"Acho que ainda estamos em um estágio muito inicial", avaliou Yang Jianfei, da Universidade Tecnológica Nanyang, de Singapura.

Agora no g1

Segundo ele, os robôs ainda exigem supervisão humana para funções de frenagem de emergência e não existem padrões de segurança reconhecidos por todo o setor.

Os especialistas concordam que a aceitação em larga escala desses robôs ainda está distante.

Questionada sobre a possibilidade de os robôs revolucionarem sua profissão, Lin não parece preocupada.

"Comparado com as pessoas, é óbvio que ele não está no mesmo nível", afirmou. "Afinal, é um robô."

Imagem, capturada em 21 de maio de 2026, exibe um robô da X Square organizando itens em uma prateleira na residência de um cliente em Pequim. — Foto: WANG ZHAO/AFP

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