SpaceX vale US$ 1,75 trilhão? Os riscos por trás do IPO mais aguardado do mercado

SpaceX vale US$ 1,75 trilhão? Os riscos por trás do IPO mais aguardado do mercado — Tech | Versia.media

Lançamento da Starship em 22 de maio de 2025 — Imagem: Divulgação/SpaceX

A SpaceX será o grande destaque dos mercados financeiros com sua estreia na bolsa nesta sexta-feira (12/06). A companhia de foguetes, satélites e inteligência artificial (IA), comandada por Elon Musk, planeja captar até US$ 75 bilhões (R$ 388 bilhões) por meio da venda de aproximadamente 555,6 milhões de ações ao preço unitário de US$ 135.

A empresa pode superar o recorde de maior Oferta Pública Inicial (IPO) da história, ultrapassando a posição antes ocupada pela gigante petrolífera Saudi Aramco, que abriu seu capital em 2019 e levantou US$ 26 bilhões.

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A SpaceX ainda pode se tornar a sétima maior empresa de capital aberto dos Estados Unidos. Como apenas 4% de seu capital social estará em circulação, a avaliação total chegaria a impressionantes US$ 1,8 trilhão.

A SpaceX pretende utilizar os recursos obtidos com a IPO para financiar seus projetos ousados, como a implantação de data centers de IA no espaço e missões rumo a Marte.

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Aspirações da SpaceX

Fundada em 2002, a SpaceX realizou, ao longo dos anos, progressos expressivos em tecnologias espaciais, incluindo foguetes reutilizáveis, consolidando-se como a principal fornecedora de serviços de lançamento do planeta. O objetivo final da companhia é colonizar Marte e estabelecer uma civilização no planeta vermelho.

Mais próximo da Terra, a SpaceX opera a Starlink, uma vasta constelação de cerca de 8 mil satélites, que fornece serviços de internet banda larga para consumidores, governos e clientes corporativos. A Starlink é atualmente o único negócio lucrativo da empresa.

No início do ano, a SpaceX expandiu seu campo de atuação para a inteligência artificial ao se fundir com a xAI, criada por Musk em 2023 para competir com empresas do setor, como a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, e a Anthropic.

Musk pretende instalar enormes data centers no espaço, movidos a energia solar, e usar o vácuo frio do espaço para refrigeração sem custos, o que permitiria que as instalações superassem as limitações energéticas e de temperatura enfrentadas na Terra.

Spacex, ainda uma empresa com prejuízo

Em seu prospecto de IPO, a SpaceX destacou um mercado potencial de US$ 28,5 trilhões para seus produtos, por ocupar uma posição única na oferta de serviços integrados de IA e internet baseados no espaço.

Essa avaliação extremamente elevada, no entanto, gera preocupações, principalmente pelo fato de a empresa operar no vermelho. No ano passado, a SpaceX faturou US$ 18,7 bilhões, mas registrou um prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões. A companhia informou que não prevê se tornar lucrativa em curto prazo. Ela também possui uma dívida considerável, que atingiu cerca de US$ 29 bilhões no final de março.

Considerando seus dados financeiros, a SpaceX seria avaliada em aproximadamente 94 vezes sua receita anual, um prêmio enorme em comparação com as ações de grandes empresas de tecnologia altamente rentáveis, como Apple, Alphabet ou Nvidia.

Após analisar as finanças da SpaceX, a Morningstar, empresa de serviços financeiros sediada nos EUA, avaliou a companhia em US$ 780 bilhões — um valor significativamente inferior à avaliação da IPO, de US$ 1,8 trilhão.

A empresa afirmou que a perspectiva para a SpaceX é "muito incerta" e que o sucesso dependerá de a plataforma de IA orbital da empresa funcionar e oferecer vantagens expressivas em termos de custos operacionais em comparação com a computação terrestre.

O que explica a euforia com as ações da SpaceX?

O interesse dos investidores, tanto pessoas físicas quanto institucionais, parece imenso, com relatos recentes indicando que a IPO já tem demanda superior à oferta. Muitos apoiadores de Musk citam como motivos para investir a visão do bilionário para a SpaceX e seu êxito em transformar a Tesla em uma potência global nos setores automotivo e tecnológico.

A maioria das IPOs oferece apenas cerca de 5% a 10% do total da oferta para investidores individuais, de acordo com a empresa de serviços financeiros Fidelity. No entanto, a SpaceX reservou uma parcela muito maior de ações — até 30%, ou US$ 22,5 bilhões — para investidores pessoas físicas.

"Muitos investidores individuais desconhecem que aproximadamente 25% das IPOs caem no primeiro dia de negociação, e uma porcentagem ainda maior cai em horizontes mais longos", afirmou à DW Jay Ritter, especialista em IPOs e professor de finanças da Universidade da Flórida.

"Mas as instituições estão dispostas a atribuir avaliações elevadas à SpaceX e às grandes empresas de IA porque outras no setor de tecnologia demonstraram capacidade de crescer e se tornar extremamente lucrativas", acrescentou, citando nomes como Alphabet, Nvidia e outras com lucros anuais superiores a US$ 100 bilhões.

"Se elas não tivessem feito isso, haveria muito mais preocupação com as avaliações", enfatizou Ritter. "Mas essas outras empresas, incluindo Microsoft e Broadcom, abriram o capital com avaliações muito mais baixas e, portanto, tinham maior potencial de valorização para os investidores."

A bolsa Nasdaq também alterou suas regras em maio para permitir que grandes estreantes, como a SpaceX, passem a integrar seu índice em até 15 dias de negociação, em vez dos três meses anteriormente exigidos. A mudança significa que os fundos de investimento passivos que acompanham o índice Nasdaq 100 precisarão comprar ações da SpaceX mais cedo.

Musk mantém controle firme sobre a SpaceX

Especialistas alertam que as ações da SpaceX podem ser mais voláteis quando começarem a ser negociadas, pois a empresa disponibilizou apenas cerca de 4% de seu capital para a IPO. O fato de muitos investidores disputarem uma oferta limitada de ações pode gerar fortes oscilações de preços.

Mesmo após a IPO, Musk manterá um controle rigoroso sobre a empresa. O bilionário detém atualmente cerca de 42% da SpaceX, mas após a abertura de capital, uma estrutura especial de ações de dupla classe garante que ele retenha aproximadamente 82% do poder de voto total no conselho da empresa, o que significa que ninguém poderá demiti-lo.

A empresa também limita a capacidade dos acionistas de mover ações coletivas, exigindo que eles apresentem os casos em um tribunal comercial especializado do Texas. Se um juiz se recusar, as disputas são encaminhadas para arbitragem privada, uma disposição vista como uma severa restrição aos direitos dos investidores.

A Morningstar alertou que o domínio de Musk sobre a SpaceX também é um fator de risco e que os acionistas minoritários terão capacidade limitada de influenciar as decisões da empresa. "Essa concentração de poder de decisão em um único indivíduo cria riscos de governança que exigem consideração cuidadosa", observou.

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